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Tocar

A pele é o maior órgão que temos no corpo. E é através da pele que desenvolvemos um dos órgãos dos sentidos. Tocar e ser tocado são fundamentalmente importantes, tanto física como emocionalmente.

Na vida intrauterina o feto recebe estímulos sensoriais através da pele o tempo todo. No processo de nascer estes estímulos são aumentados através das contrações do útero sobre o corpo do bebê, e principalmente sobre a cabeça.

É no contato corporal com a mãe que a criança faz sua primeira comunicação com o mundo. E é através deste contato que o bebê percebe o conforto, calor e segurança tão necessários para sua adaptação e desenvolvimento nos primeiros tempos de vida.

Ashley Montagu relata as experiências do Dr J. Brennemann, onde índice de morte entre bebês internados no hospital Bellevue de Nova York (1938), que recebiam contato físico através de passeios no colo, aconchego e cuidados maternais, caíram de 30-35% para 10%.1

Montagu, declara ainda que:

“Descobriu-se que, para a criança se desenvolver bem, ela deve ser tocada, levada no colo, acariciada e aninhada nos braços; deve-se falar com ela carinhosamente, mesmo que não seja amamentada. É o toque das mãos, do colo, as carícias, os cuidados, a proteção dos braços que queremos enfatizar aqui, pois parece que mesmo na ausência de muitas outras coisas, estas são experiências essenciais de traquilização que o beb6e precisa sentir para que possa sobreviver dentro dos parâmetros de saúde. O ser humano pode sobreviver a privações sensoriais extremas de outra natureza, como a visual e a sonora, desde que seja mantida a experiência sensorial da pele.” pág. 106

A falta do contato físico tem acarretado muitos danos no ser humano, não só no que diz respeito as doenças de pele, mais também na interação social do indivíduo e no desenvolvimento da capacidade de amar e criar vínculos. Observe esta declaração:

“É principalmente a estimulação da pele do bebê pelo tato que o capacita a sair de dentro de sua pele. Os que foram frustrados neste sentido, permanecerão, por assim dizer, prisioneiros de sua própria pele e agirão, por isso, como se sua pele fosse uma barreira que os mantivesse presos lá dentro; ser tocado torna-se, para tais pessoas, uma invasão á sua integridade.”.2

Penso também que, talvez a busca desenfreada por experiências sexuais, seja um sintoma da necessidade por contato corporal, uma vez que na relação sexual a pessoa experimenta uma estimulação cutânea intensa e por inteiro, o que não acontece em nenhuma outra atividade de “corpo a corpo”.

Biblicamente, temos o exemplo de Jesus Cristo que não se esquivou de ser tocado e nem de tocar. Ele tocou as crianças, os doentes, os excluídos e os amigos. Deixou-se tocar pelas mulheres, doentes e discípulos. E é Tiago um dos seus irmãos que manda “tocar com óleo…nos enfermos”.3

Se cada vez mais se comprova que falta do toque traz disfunções e dificuldades, então fica também comprovado que o tocar, com amor e interesse genuíno, traz restauração!!!

Esther Carrenho – CRP 06/50729-9

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From: AQUELA QUE BUSCA, NÃO ENCONTRA…

Sent: Thursday, January 18, 2007 6:55 AM

Subject: Vida afetiva…

Tenho 32 anos, sou/estou solteira e fui criada no berço da “religião” evangélica.

Quando conheci o meu primeiro namorado, também primeiro homem, freqüentávamos a Igreja Central. O melhor de tudo, foi que nessa época (1990 a 1995), a “igreja” não fazia a minha cabeça.

Leio Cartas através do seu site, nas quais as pessoas ficam ou ficaram meio perturbadas com a “igreja”. Graças a Deus, já não era e não é o meu caso…

Bem, sendo mais objetiva…

O nosso namoro era muito conturbado, cheio de brigas, traições de ambas as partes e ciúmes. Até que um belo dia, resolvi procurar ajuda terapêutica para curar-me da relação doentia que nós tínhamos, e depois, enfim, acabou-se tudo.

Ele, coitado, ficou muito mal com o término do relacionamento. Afundou-se em drogas, tentou suicídio; e, depois, casou-se com uma mulher 10 anos mais velha.

Depois desse relacionamento, nunca mais tive êxito em relacionamento afetivo algum.

Só apareceram homens casados ou comprometidos, querendo alguma coisa…

Até me envolvi com um homem casado durante um ano e três meses. Mas terminamos, porque no final ele viu que ainda tinha muito que “resolver” com a mulher dele.

Cheguei a pensar muitas vezes que tinha alguma “maldição” em minha vida. Visto que o casamento dos meus pais não deu certo. E há em minha família muitas frustrações nesta área, muitas separações (tia, tio, prima e etc.).

Tenho muito medo do futuro. Medo de ficar cada vez mais sozinha. Sem nenhuma perspectiva de melhora nesta área.

De uns tempos para cá, os ‘homens casados’ pararam de atormentar-me. Quando eles me rondavam, ainda dava para tapear mais a solidão…

Minha vida está totalmente solitária, sofrida e sem saber mais o que pensar sobre o assunto.

Já ouvi também muitas “profetadas”… Mas a pior de todas foi um dia em que o Pastor-X “orou” por mim; e disse que a minha vida sentimental estava “bloqueada”. E que para “desbloquear”, eu teria que queimar uns papéis nos quais ele estava escrevendo; tomar banho de vinagre; pregar um prego numa árvore qualquer; etc.

Fiquei pasma! Mas depois de ler muito as “reflexões”, “devocionais” e as “cartas”, as dúvidas em relação a essas mandingas foram por água a baixo.

Então, meu querido e amado pastor, gostaria de uma orientação quanto a isto.

Como disse no parágrafo anterior, não sei mais o que pensar. Não sou uma mulher bonita e de dotes, mas também não sou feia.

Já me revirei por dentro e por fora, para saber o que há de errado comigo. Já pedi para Deus, tirar as vendas dos meus olhos, se houver. Já fiz de tudo.

Li outro dia, em “opinião” (site): “MULHERES LINDAS E FRUSTADAS… E HOMENS SEM ATRATIVO”.

Maravilhoso! Fui definitivamente, muito edificada!

Bem, espero que tenho sido clara. Muito obrigada por ouvir-me.

Um abraço de sua fã,

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Resposta:

Querida amiga: Graça e Paz!

A única coisa que vi na sua carta foi uma imensa perda de tempo, energia e reais oportunidades na vida.

Veja: Você tem apenas 32 anos, é bela e inteligente, tem sua própria vida, mas não fez nenhum progresso na vida afetiva e relacional, pois, isto só é possível com um homem, não se distraindo com vários, sejam eles solteiros ou casados.

Assim, o que temos?

Uma mulher de 32 anos, portanto, ainda jovem, e que passou a primeira parte da idade adulta namorando e se dando a um homem que, em você, encontrou apenas muita perturbação, com traições de ambos os lados… Desse modo, ele sofreu se relacionando com você muito mais do que você com e por ele. Entretanto, mesmo tendo casado com uma mulher 10 anos mais velha (o que você incluiu entre as coisas ruins que aconteceram ao “coitado”) — ele está lá, vivendo a vida dele, e quem ficou coitada foi você.

Originalmente a palavra “coitado” equivalia a dizer que alguém “tava ferrado …” — posto que coitado é aquele que tem sido objeto de coito contra a vontade.

Assim, o “coitado” dessa história não é ele.

Quando pessoas passam sucessivamente pela nossa vida e nunca ficam, saiba: é porque muito provavelmente haja algo errado na gente.

Essas coisas não são feitas de maldições externas a nós, mas sim de maldiçoes criadas por nós mesmos, pela nossa vida, pelo caminho e escolhas que fazemos; e, sobretudo, pela maldição de quem, suavemente, vamos nos tornando…

Assim, seu problema é você, e não a vida. Seus pais podem ter deixado um legado ruim para você, mas apenas em termos de cultura familiar e psicológica.

Explico:

Muitas vezes as coisas que nos constituem nunca foram checadas por nós; pois, pensamos que já nascemos com elas, e que, por isto, elas são parte de nós — como um braço, uma perna, ou um olho.

Ora, elas se tornam parte de nós, mas não são o que Deus chama de ‘eu’ em mim.

Foi desse tipo de coisa que Jesus falou quando disse que deveríamos arrancar em nós tudo aquilo que trabalhasse contra nosso ser real.

Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.

E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.

Desse modo, eu creio que muito do que hoje faz mal a você, está em você, e muito disso é herança familiar, tanto da criação como do convívio com eles — os pais e a família.

Portanto, por mais doloroso que seja, veja o que existe de ruim deles em sua vida, em seus sentimentos, em suas explosões de raiva, em seu humor, em seus caprichos, em suas expectativas, valores, e significados.

Sim! Esse é o diabo que ninguém quer enxergar!

Quem dera essas coisas fossem curáveis numa sessão de “quebra de maldiçoes”, mas, não todos os dias (como eles fazem, gerando a maldição da dependência a eles) — porém, de uma vez e para sempre.

Mas não é possível…

A cura, entretanto, pode até ser num dia, num abrir e fechar de olhos, embora, em geral, seja um processo sem fim, mas não mais doído e sofrido. Entretanto, será assim, apenas se a pessoa olhar com verdade para si mesma, discernindo sua própria constituição interior, a qual designa o caminho de cada um. Pois a gente é conforme o nosso ser.

Então, voltemos a você.

Você já pensou na razão verdadeira do seu primeiro namorado ter surtado com você, e, aparentemente, ter conseguido ficar com a mulher mais velha?

Você já parou para pensar em sua imaturidade emocional e afetiva?

Você já se perguntou se morar, viver, e estar com você é algo fácil para um homem?

Você é complicada, ainda que prendada?

Você tem desejos que não podem ser frustrados?

Você é o tipo de pessoa que vai ficando desinteressante no convívio com a outra pessoa?

Como você vê quero ajudar você, e não afagá-la com ilusões!

Você disse que os homens casados pararam de “dar em cima” — e concluiu dizendo que isso pelo menos ajudava a distrair, a tirar o tédio. Agora, entretanto, nem eles…

Sem saber de nada, mas apenas sentindo, eu diria o seguinte:

Você é a dona da bola; tem caprichos fortes; é altamente frustrável; acha que os homens têm que existir para você; e, possivelmente seja também uma pessoa muito sufocante na relação; e do tipo que cobra muito, exige demais, e sempre quer ser amada antes…; muito mais do que amar.

Em resumo: sua carência é tão grande, e seus enganos pessoais são tão sutis, que você não se enxerga, transferindo os problemas para fora de você, desde que não seja para um diabo muito cheio de mandingas…

Supondo que a idade de se começar a pensar em casamento seja aí pelos 24-25 anos, e considerando que você só tem 32, o que vejo foi tempo perdido. De fato, uns sete anos de tempo jogado fora. Entretanto, isto, como disse no início, não é problema, pois, de fato, você é ainda muito jovem.

Todavia, o seu “sou/estou solteira”, me chamou atenção. Sim! Porque você se nega a viver o que vive. Daí o ter relativizado o ‘sou solteira’ por um ‘sou/estou’ — típico de quem tem vergonha do status de solteira.

Ora, você sempre foi solteira. Nunca casou. E, todos os relacionamentos que teve, por mais que também tenham sido com homens casados, não significaram nada além de vínculos de transa, ou, no melhor disso, paixões de desejo — e nada mais que isso.

Desse modo, assuma que você é solteira, e ponto.

Tire de sua alma a fixação no ter que encontrar alguém; pois, nesse caso, quem busca, não encontra; quem bate, só acha monstros atrás da porta; e quem pede, só recebe gorjeta…

Assim, busque viver em paz, sem a aflição de ter que ter alguém, sem medo do futuro, e sem ansiedade… — pois, quem vive assim, assusta a quem chega perto!

O que suponho é que, inconscientemente, sua energia seja ‘pegajosa’. Assim, os casados ficam com medo de se fecharem atrás de uma porta de cadeia emocional, com potencial do tipo “atração fatal”; e, os solteiros, ao sentirem você, temem ter que tomar uma decisão acerca de casamento sem nem mesmo terem conhecido você.

Mulher que quer casar, em geral fica solteira!

Mulher que casa bem é, em geral, muito tranqüila, leve e discreta, mesmo quando bela; e que não tenta seduzir de modo algum.

Mulher sedutora seduz tanto que não leva nada!

Mulher que casa bem é, em geral, aquela que não busca, não pede e não bate na porta.

Mulher desejosa é comida, mas não se alimenta; é provada, mas não prova nada; é cheia de histórias, mas não faz história com ninguém.

Mulher desejosa vive frustrada!

Mulher cheia de caprichos é coberta deles até que o cara diga: “Aqui já tive e já tirei tudo o que queria. Daqui pra frente é chatice!”

Mulher cheia de caprichos se carrapicha enquanto anda…

Portanto, amiga querida, peço a você que ao invés de derramar vinagre em algum lugar, ao invés de rasgar esta carta, e ao invés de pregar um prego em alguma árvore — que veja se há vinagre em sua alma; se há cartas de vida e amor sendo rasgadas por você inconscientemente; e se você não é um prego, que fixa as pessoas, ao invés de amá-las.

Pense no que lhe disse, pois, mais simples para mim era nada dizer. Mas, Deus sabe, o disse querendo ajudar você como um pai ajuda a filha — afinal, tenho filho mais novo que você apenas 1 ano.

Receba meu carinho.

Nele, em Quem tudo tem que ser em espírito e em verdade,

Caio
retirado do site www.caiofabio.com

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Caio,

Vejo que você nunca associa o tema da oração a qualquer coisa que tenha a ver com casamento, encontro de homem e mulher, noivado, e coisas assim.

Você concorda comigo?

Gostaria de saber o por quê. É algum trauma seu? Ou é de tanto ver o que acontece? Sei que você crê e fala em oração. Por isso creio que você ora por muitas coisas. Mas estranho o seu silencio sobre o casamento. Por quê? Desculpe se me meti. Mas é uma curiosidade que tenho com você.

Obrigado,

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Meu amigo: Graça e Paz!

Sim, é verdade! Não peço a Deus para ninguém casar com ninguém. E não faço isto por algumas razões.

1a Não vejo na Escritura ninguém orando para casar com ninguém. As pessoas simplesmente casavam com quem queriam (no caso dos homens ricos ou independentes) ou com quem era “arranjado” pelos pais ou pela família. Não vejo nem mesmo o N.T. excitar as almas com essa intercessão. Ao contrário, a leitura de I Coríntios 7 parece não carregar nenhum incentivo quanto a se fixar em oração pelo tema, nem antes do casamento, e nem tampouco a fim de dar certeza de que o marido incrédulo será convertido. “Como sabes?”—é a pergunta de Paulo; e, como resposta, ele manda que o casal use o critério da “paz” para ver se vale ou não a pena permanecer juntos.

2a Nunca vi em Jesus a menor preocupação com o tema. Ele ressuscita mortos, mas não dá ordens a um marido que se foi…, quanto a voltar. À mulher chamada “adultera” pela “sinagoga”, Ele apenas a perdoa e manda que ela não viva mais daquele modo, mas não tenta fazer arranjos para que haja um encontro entre a mulher e um homem que ela goste.

3a Na minha experiência, depois de ver praticamente de tudo nessa área, prefiro fazer como meu filho Lukas, quando juntos íamos para as Bodas de Ouro de meus pais, avós dele. Ele disse no caminho de ida: “Eles provaram que podem se casar!” O interessante é que estávamos indo comemorar os 50 anos de casamento dos dois. Portanto, muito coerentemente com o que vi desde sempre, especialmente como pastor, é que só aposto num casamento quando ele se mostrou sólido, e, em geral, é quando os dois já venceram o mundo juntos.

4a Já vi traumas e surtos de desconfiança psicopatológicos se infiltrarem na alma de pessoas, especialmente mulheres, que receberam “garantias proféticas” de aquele era o “varão”; e que, logo depois, entraram em crise espiritual ao descobrir que o “varão de Deus” era um tremendo de um 171 cristão. Conheço gente internada em estado de desequilíbrio em razão disso. Outros perderam a fé. Outros se tornaram cínicos. E outros estão com “raiva de Deus” até hoje.

5a Na minha maneira de ver, tendo a Escritura a liberdade de listar feitos e feitos da fé — até mesmo ressurreição de mortos, o mar se abrir, e o sol parar em razão de uma oração —, intriga-me que ela jamais tenha contado a história do homem ou da mulher que quis alguém, orou, orou, orou, e, por conta disso, Deus tenha feito surgir amor naquela pessoa pela outra.

Não! Em minha Bíblia não encontro nada disso. E por que será? Na minha opinião é porque o amor é lugar misterioso, e Deus o criou para ser assim, e qualquer tentativa de “despertá-lo sem que este o queira”, conforme o Cantares, é uma temeridade.

Em minha opinião um casamento deve ser um encontro supremo de liberdade, espontaneidade, verdade, escolha, e prazer de dizer: “Esta é minha!” Ou, ainda: “Esta afinal é minha carne!”

A complexidade disto está no fato de que hoje há milhares de Adaõs e Evas.

Assim, o mistério é cada vez maior. No entanto, a liberdade de Deus ao homem deixa isto num plano misterioso no qual somente o coração tem a prerrogativa da decisão.

A única ordem explicita de Deus em relação fazer acontecer um casamento, em toda a Escritura, é o do Padeiro Oséias com a desvairada Gômer, a adultera que se entregava aos homens pela mais profunda incontinência e compulsão sexual. Não parece ser uma ordem que a maioria gostaria de receber dos céus.

Faço casamentos sempre. Mas há muitas décadas que não conduzo “votos de casamento” para ninguém durante a cerimônia. Deixo os noivos prometerem o que quiserem. Afinal, eu mesmo, acho que os “votos” ou “juramentos” (palavra anátema entre evangélicos) não condizem com as afirmações bíblicas do “tu não sabes”… “Deus pôs tudo no desconhecimento…”… “como sabes?”…etc.

Assim, oro pedindo a Deus que o casal possa saber manter o que tem, que sejam sábios, que evitem tudo aquilo que destrói o vínculo, etc. Mas jamais induzirei ninguém a pensar que aos 25 anos ou em qualquer idade, duas pessoas sabem com certeza que ficarão juntas para sempre. Ora, se não sabem é porque Deus disse que ninguém sabe nada de coisa alguma.

Quem achar diferente, deve recorrer à “boacumba evangélica”, posto que para mim, tais certezas, são coisa de encanto e feitiçaria. No casamento vejo razões bastante claras para deixar tudo na base da esperança.

Portanto, deixo que os pretendentes expressem uma confissão de propósitos, um desejo sincero, uma vontade boa, mas nada além disso; pois, eu sei que ninguém sabe o que acontecerá. Casamento é como Política: o homem tem que fazer em nome do homem, não de Deus. Todos os casamentos, até os mais felizes, vivem estações de divorcio psicológico ou emocional, de desinteresse, de mornidão, de tédio, de ócio, de habito, de rotina, e de cansaço. Faz parte.

Porém, se as pessoas não têm a perseverança para “passar pela tribulação”, a maioria termina o que ainda teria muita chance de vida. Por isto, ao invés de colocar o jugo do “agüente o que vier”, apenas digo: Problema são normais, e fazem parte do próprio casamento. Mas onde um homem e um mulher se amam com maturidade e sabedoria, tudo pode ter solução”.

Mas não evoco nenhum milagre que não seja amor; sim, o amor que eles já têm. Afinal, nunca vi, via intercessão em oração, alguém que não deseja, passar a desejar; alguém que não ama conjugalmente, passar a amar; e alguém que detesta o cônjuge desde o inicio, passar a quere-lo; e jamais vi surgir tesão onde antes nunca houve tesão. Todos os casais que eu vejo ficarem bem, passando por crises, são aqueles que se amam.

Quem se ama tem todas as chances, mas quem não se ama pode apenas conseguir resistência para agüentar aquilo que detesta. Casamento, porém, não é campo de batalha. Afinal, Paulo diz: “Deus vos tem chamado à paz!”

Aqueles que verdadeiramente se uniram, esses foram unidos por Deus. Os que nunca se uniram, todavia, nenhuma oração os fará ficarem juntos em amor conjugal. Podem até sublimar a crise e ficarem juntos apesar de tudo. Mas aí não há um casamento, conforme a alma demanda que um casamento seja.

O fato mais que simples é que assim como em qualquer outra coisa na vida, no casamento o justo também casará e viverá pela fé. Não há outro caminho senão amor pelo cônjuge, e fé de que juntos irão conseguir; obviamente que cada um fazendo sua parte, cedendo, buscando harmonia, e desejando o bem da paz. Espero que minha posição, ainda que exposta simplificadamente, lhe seja útil e esclarecedora.

Nele, em Quem o que é, é,

Caio

2005

retirado do site
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