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Benedict Carey
As cenas domésticas que lentamente sufocariam o casamento não foram “cenas” no sentido habitual, mas silêncios, negligências imaginárias, temores particulares que passaram sem ser comentados. Ela pedia que ele lavasse a louça depois do jantar e sentia-se estremecer quando ele deixava para depois, como se fosse uma rejeição.
Ou ela se vestia para sair e depois lutava contra um temor crescente, com o passar dos minutos, pois ele não dizia que estava bonita. “Eu nunca disse nada, mas tinha essa necessidade de aprovação, essa terrível carência que ele não conseguia entender”, disse Ronni Weinstein, 61, uma terapeuta que mora na região de Chicago, sobre seu ex-marido.
De fato, ela acrescentou, depois aprendeu que seus surtos de dependência poderiam ter sido usados para unir o casal, em vez de prejudicá-lo. “É isso que os casais saudáveis aprendem a fazer”, disse. “Depender voluntariamente um do outro e decidir quem está fazendo o quê pelo relacionamento.”
A carência tem uma face conhecida: a amiga íntima que está constantemente pedindo aprovação, conselhos, ajuda para lidar com o computador. A adulta bem-sucedida que pula de relação em relação, fazendo a gueixa para cada novo parceiro. A mulher agredida que tem medo de ir embora. Mas só recentemente os pesquisadores começaram a perceber que se de certas formas a dependência pode minar a saúde mental, de outras pode representar um valioso apoio social.
Em um extremo está uma necessidade desesperada de atenção – um problema constante que os psiquiatras diagnosticam como distúrbio de personalidade dependente. Em formas mais brandas, a dependência pode parecer uma carência aborrecida. Mas também pode ser um afeto protetor que cimenta os relacionamentos românticos em tempos de estresse. É o modo como as pessoas administram os surtos de dependência que determina o efeito do comportamento carente nos relacionamentos, segundo pesquisadores.
“Existem pessoas dependentes que entram em pânico com facilidade, que telefonam para um amigo ou para a mulher 15 vezes por dia, minando o relacionamento, e depois há aquelas que aprenderam a modular seus impulsos”, disse o dr. Robert F. Bornstein, psicólogo na Universidade Adelphi e co-autor, com sua mulher, Mary A. Languirand, de “Healthy Dependency” [Dependência saudável] (Newmarket Press, 2003). “Essas pessoas podem ter necessidades de dependência muito intensas”, ele continuou, “mas desenvolveram técnicas sociais, aprenderam a fazer os outros se sentirem bem em ajudá-las. E isso faz toda a diferença.”
Um cabo-de-guerra entre a dependência persistente e a vulnerabilidade carente é visível desde a infância. Nos chamados estudos de ligação afetiva, crianças pequenas ou primatas que confiam no afeto de suas mães tendem a ser confiantes quando exploram um espaço desconhecido ou encontram um estranho.
As que são menos seguras muitas vezes se agarram às mães em situações novas, principalmente as temíveis. “Essa é uma dinâmica absolutamente fundamental que sustenta todas as nossas relações interpessoais, assim como os diagnósticos psiquiátricos”, disse o dr. Sydney Blatt, professor de psicologia e psiquiatria na Universidade Yale.
Os pesquisadores medem a força dos traços de dependência fazendo as pessoas classificarem o quanto endossam certas opiniões, como “Depois de uma briga com um amigo, devo fazer as pazes assim que possível”; “Sou muito sensível aos sinais de rejeição dos outros”; ou “Tenho muita dificuldade para tomar decisões sozinho”.
Nos estudos, as pessoas que têm notas altas nesses testes também tendem a classificar seus pais como autoritários ou excessivamente protetores (ou um de cada). “A mensagem quando a pessoa está crescendo é: ‘Você é frágil, você é fraco, precisa de alguém forte para cuidar de você’”, disse Bornstein.
Essa criação leva muitas pessoas, conforme amadurecem, a buscar pares igualmente dependentes entre amigos, colegas e parceiros românticos. O padrão persiste pelo menos em parte porque é freqüentemente recompensado.
Em um estudo recente, psicólogos classificaram 48 homens e mulheres que estudavam no Gettysburg College na Pensilvânia sobre medidas de dependência, e calcularam suas notas médias. Depois de controlar as notas nos exames escolares dos estudantes e a dificuldade de seus currículos, entre outros fatores, os pesquisadores descobriram, para sua surpresa, que os estudantes que tinham notas mais altas em medidas de dependência se saíam significativamente melhor nos estudos, em média, do que os que eram mais auto-suficientes.
Um motivo provável, segundo os autores, era que os estudantes dependentes tinham muito maior probabilidade de dizer que buscavam a ajuda dos professores para os trabalhos do curso.
Em outro experimento, apresentado em janeiro na reunião anual da Associação Psicanalítica Americana, psicólogos da Universidade de Louvain, na Bélgica, mediram traços de dependência, satisfação nos relacionamentos e níveis de conflito em 266 adultos em relacionamentos duradouros. Os pesquisadores descobriram que os parceiros dependentes tinham notas significativamente mais altas em satisfação do que os mais auto-suficientes – mas só quando os casais estavam brigando.
Pelo menos em curto prazo, as características de dependência pareciam proteger os relacionamentos em tempos de crise, sugerem os autores. Temendo perder o relacionamento, “os indivíduos mais dependentes podem realmente se comportar de maneira mais positiva com seus parceiros, como ser mais cordatos e mais amorosos”, disse Bénédicte Lowyck, psicóloga que liderou o estudo.
Em longo prazo, disse Lowyck, não está claro se esses instintos protetores alimentam o relacionamento ou o prejudicam. A resposta dependerá do casal, segundo especialistas, e provavelmente do conteúdo da dependência do parceiro: como ela é expressa, se a pessoa é generosa além de carente, flexível além de ansiosa.
Para distinguir diferentes matizes ou variedades de dependência, dois psicólogos, Aaron L. Pincus, da Pennsylvania State, e Michael B. Gurtman, da Universidade de Wisconsin em Parkside, aplicaram uma exaustiva bateria de questionários sobre dependência a 654 estudantes de psicologia. As notas classificaram tudo, de confiança social a preferência por solidão e necessidade de agradar aos outros. A análise das respostas pelos psicólogos sugeriu que há três variedades diferentes de padrões de comportamento dependente.
Um é definido predominantemente pela submissão (“Eu não tenho o que é necessário para ser um bom líder” ou “Sou facilmente convencido em uma discussão”). Outra se caracteriza principalmente pela explorabilidade (“Tenho medo de ferir os sentimentos das pessoas” ou “Eu faço coisas que não são do meu interesse para agradar aos outros”). E uma terceira, que os psicólogos chamaram de dependência amorosa, baseia-se numa necessidade de conexão social (“Ficar isolado dos outros tende a levar à infelicidade” ou “Depois de uma briga com um amigo, devo fazer as pazes assim que possível”).
As pessoas que lutam com uma necessidade exagerada de aprovação dos outros podem exibir momentos dos três tipos. “Mas essa dependência amorosa é a mais adaptativa”, disse Pincus. “São pessoas que formam ligações muito fortes, que não estão felizes se não estiverem cercadas de amigos e da família” e têm menor probabilidade de tropeçar em suas próprias ansiedades.
Weinstein, a terapeuta de Chicago, disse que em mais de 30 anos de prática ela viu dezenas de casais em que a submissão e a exploração puseram fim a casamentos. E estudos atuais sugerem que em relacionamentos muito perturbados e abusivos o agressor, assim como a vítima, muitas vezes tem um medo dependente de perder o relacionamento.
“Esse é o tipo de casal em que o marido pode dizer: ‘Você vai fazer compras sozinha? Vai me deixar aqui sozinho? Você não pode fazer isso. Olhe, vou levá-la de carro”, disse Weinstein. “E esse tipo de intercâmbio que parece trivial pode se tornar muito exigente e até violento, por causa desse medo irracional do abandono.”
Terapeutas tarimbados podem ajudar as pessoas a administrar esses medos, mas há poucas pesquisas que orientem o tratamento. Em uma abordagem, as pessoas aprendem a identificar e modificar alguns hábitos de conversa que tornam suas interações com os outros tão voláteis.
Por exemplo, elas aprendem a reduzir o número de vezes que procuram aprovação em uma conversa – “Você não está dizendo isso, está?” ou “Você realmente quer dizer isso?” – e, eventualmente, a mudar o foco da conversa para o outro.
O paciente também pode aprender a diluir seus temores de perder o relacionamento aceitando algumas evidências do compromisso do parceiro: flores, jantares românticos, massagens nas costas. O parceiro também pode ajudar, pelo menos em casos de carência mais branda.
Os psiquiatras muitas vezes aconselham uma espécie de distanciamento simpático: reconhecer os medos da pessoa; oferecer um pouco de tranqüilidade; mas incentivar a pessoa a pelo menos experimentar interesses, hobbies ou hábitos que não girem em torno do relacionamento. E depois desligar o celular durante algumas horas.
A pele é o maior órgão que temos no corpo. E é através da pele que desenvolvemos um dos órgãos dos sentidos. Tocar e ser tocado são fundamentalmente importantes, tanto física como emocionalmente.
Na vida intrauterina o feto recebe estímulos sensoriais através da pele o tempo todo. No processo de nascer estes estímulos são aumentados através das contrações do útero sobre o corpo do bebê, e principalmente sobre a cabeça.
É no contato corporal com a mãe que a criança faz sua primeira comunicação com o mundo. E é através deste contato que o bebê percebe o conforto, calor e segurança tão necessários para sua adaptação e desenvolvimento nos primeiros tempos de vida.
Ashley Montagu relata as experiências do Dr J. Brennemann, onde índice de morte entre bebês internados no hospital Bellevue de Nova York (1938), que recebiam contato físico através de passeios no colo, aconchego e cuidados maternais, caíram de 30-35% para 10%.1
Montagu, declara ainda que:
“Descobriu-se que, para a criança se desenvolver bem, ela deve ser tocada, levada no colo, acariciada e aninhada nos braços; deve-se falar com ela carinhosamente, mesmo que não seja amamentada. É o toque das mãos, do colo, as carícias, os cuidados, a proteção dos braços que queremos enfatizar aqui, pois parece que mesmo na ausência de muitas outras coisas, estas são experiências essenciais de traquilização que o beb6e precisa sentir para que possa sobreviver dentro dos parâmetros de saúde. O ser humano pode sobreviver a privações sensoriais extremas de outra natureza, como a visual e a sonora, desde que seja mantida a experiência sensorial da pele.” pág. 106
A falta do contato físico tem acarretado muitos danos no ser humano, não só no que diz respeito as doenças de pele, mais também na interação social do indivíduo e no desenvolvimento da capacidade de amar e criar vínculos. Observe esta declaração:
“É principalmente a estimulação da pele do bebê pelo tato que o capacita a sair de dentro de sua pele. Os que foram frustrados neste sentido, permanecerão, por assim dizer, prisioneiros de sua própria pele e agirão, por isso, como se sua pele fosse uma barreira que os mantivesse presos lá dentro; ser tocado torna-se, para tais pessoas, uma invasão á sua integridade.”.2
Penso também que, talvez a busca desenfreada por experiências sexuais, seja um sintoma da necessidade por contato corporal, uma vez que na relação sexual a pessoa experimenta uma estimulação cutânea intensa e por inteiro, o que não acontece em nenhuma outra atividade de “corpo a corpo”.
Biblicamente, temos o exemplo de Jesus Cristo que não se esquivou de ser tocado e nem de tocar. Ele tocou as crianças, os doentes, os excluídos e os amigos. Deixou-se tocar pelas mulheres, doentes e discípulos. E é Tiago um dos seus irmãos que manda “tocar com óleo…nos enfermos”.3
Se cada vez mais se comprova que falta do toque traz disfunções e dificuldades, então fica também comprovado que o tocar, com amor e interesse genuíno, traz restauração!!!
Esther Carrenho – CRP 06/50729-9

Sent: Thursday, January 18, 2007 6:55 AM
Subject: Vida afetiva…
Tenho 32 anos, sou/estou solteira e fui criada no berço da “religião” evangélica.
Quando conheci o meu primeiro namorado, também primeiro homem, freqüentávamos a Igreja Central. O melhor de tudo, foi que nessa época (1990 a 1995), a “igreja” não fazia a minha cabeça.
Leio Cartas através do seu site, nas quais as pessoas ficam ou ficaram meio perturbadas com a “igreja”. Graças a Deus, já não era e não é o meu caso…
Bem, sendo mais objetiva…
O nosso namoro era muito conturbado, cheio de brigas, traições de ambas as partes e ciúmes. Até que um belo dia, resolvi procurar ajuda terapêutica para curar-me da relação doentia que nós tínhamos, e depois, enfim, acabou-se tudo.
Ele, coitado, ficou muito mal com o término do relacionamento. Afundou-se em drogas, tentou suicídio; e, depois, casou-se com uma mulher 10 anos mais velha.
Depois desse relacionamento, nunca mais tive êxito em relacionamento afetivo algum.
Só apareceram homens casados ou comprometidos, querendo alguma coisa…
Até me envolvi com um homem casado durante um ano e três meses. Mas terminamos, porque no final ele viu que ainda tinha muito que “resolver” com a mulher dele.
Cheguei a pensar muitas vezes que tinha alguma “maldição” em minha vida. Visto que o casamento dos meus pais não deu certo. E há em minha família muitas frustrações nesta área, muitas separações (tia, tio, prima e etc.).
Tenho muito medo do futuro. Medo de ficar cada vez mais sozinha. Sem nenhuma perspectiva de melhora nesta área.
De uns tempos para cá, os ‘homens casados’ pararam de atormentar-me. Quando eles me rondavam, ainda dava para tapear mais a solidão…
Minha vida está totalmente solitária, sofrida e sem saber mais o que pensar sobre o assunto.
Já ouvi também muitas “profetadas”… Mas a pior de todas foi um dia em que o Pastor-X “orou” por mim; e disse que a minha vida sentimental estava “bloqueada”. E que para “desbloquear”, eu teria que queimar uns papéis nos quais ele estava escrevendo; tomar banho de vinagre; pregar um prego numa árvore qualquer; etc.
Fiquei pasma! Mas depois de ler muito as “reflexões”, “devocionais” e as “cartas”, as dúvidas em relação a essas mandingas foram por água a baixo.
Então, meu querido e amado pastor, gostaria de uma orientação quanto a isto.
Como disse no parágrafo anterior, não sei mais o que pensar. Não sou uma mulher bonita e de dotes, mas também não sou feia.
Já me revirei por dentro e por fora, para saber o que há de errado comigo. Já pedi para Deus, tirar as vendas dos meus olhos, se houver. Já fiz de tudo.
Li outro dia, em “opinião” (site): “MULHERES LINDAS E FRUSTADAS… E HOMENS SEM ATRATIVO”.
Maravilhoso! Fui definitivamente, muito edificada!
Bem, espero que tenho sido clara. Muito obrigada por ouvir-me.
Um abraço de sua fã,
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Resposta:
Querida amiga: Graça e Paz!
A única coisa que vi na sua carta foi uma imensa perda de tempo, energia e reais oportunidades na vida.
Veja: Você tem apenas 32 anos, é bela e inteligente, tem sua própria vida, mas não fez nenhum progresso na vida afetiva e relacional, pois, isto só é possível com um homem, não se distraindo com vários, sejam eles solteiros ou casados.
Assim, o que temos?
Uma mulher de 32 anos, portanto, ainda jovem, e que passou a primeira parte da idade adulta namorando e se dando a um homem que, em você, encontrou apenas muita perturbação, com traições de ambos os lados… Desse modo, ele sofreu se relacionando com você muito mais do que você com e por ele. Entretanto, mesmo tendo casado com uma mulher 10 anos mais velha (o que você incluiu entre as coisas ruins que aconteceram ao “coitado”) — ele está lá, vivendo a vida dele, e quem ficou coitada foi você.
Originalmente a palavra “coitado” equivalia a dizer que alguém “tava ferrado …” — posto que coitado é aquele que tem sido objeto de coito contra a vontade.
Assim, o “coitado” dessa história não é ele.
Quando pessoas passam sucessivamente pela nossa vida e nunca ficam, saiba: é porque muito provavelmente haja algo errado na gente.
Essas coisas não são feitas de maldições externas a nós, mas sim de maldiçoes criadas por nós mesmos, pela nossa vida, pelo caminho e escolhas que fazemos; e, sobretudo, pela maldição de quem, suavemente, vamos nos tornando…
Assim, seu problema é você, e não a vida. Seus pais podem ter deixado um legado ruim para você, mas apenas em termos de cultura familiar e psicológica.
Explico:
Muitas vezes as coisas que nos constituem nunca foram checadas por nós; pois, pensamos que já nascemos com elas, e que, por isto, elas são parte de nós — como um braço, uma perna, ou um olho.
Ora, elas se tornam parte de nós, mas não são o que Deus chama de ‘eu’ em mim.
Foi desse tipo de coisa que Jesus falou quando disse que deveríamos arrancar em nós tudo aquilo que trabalhasse contra nosso ser real.
Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.
E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
Desse modo, eu creio que muito do que hoje faz mal a você, está em você, e muito disso é herança familiar, tanto da criação como do convívio com eles — os pais e a família.
Portanto, por mais doloroso que seja, veja o que existe de ruim deles em sua vida, em seus sentimentos, em suas explosões de raiva, em seu humor, em seus caprichos, em suas expectativas, valores, e significados.
Sim! Esse é o diabo que ninguém quer enxergar!
Quem dera essas coisas fossem curáveis numa sessão de “quebra de maldiçoes”, mas, não todos os dias (como eles fazem, gerando a maldição da dependência a eles) — porém, de uma vez e para sempre.
Mas não é possível…
A cura, entretanto, pode até ser num dia, num abrir e fechar de olhos, embora, em geral, seja um processo sem fim, mas não mais doído e sofrido. Entretanto, será assim, apenas se a pessoa olhar com verdade para si mesma, discernindo sua própria constituição interior, a qual designa o caminho de cada um. Pois a gente é conforme o nosso ser.
Então, voltemos a você.
Você já pensou na razão verdadeira do seu primeiro namorado ter surtado com você, e, aparentemente, ter conseguido ficar com a mulher mais velha?
Você já parou para pensar em sua imaturidade emocional e afetiva?
Você já se perguntou se morar, viver, e estar com você é algo fácil para um homem?
Você é complicada, ainda que prendada?
Você tem desejos que não podem ser frustrados?
Você é o tipo de pessoa que vai ficando desinteressante no convívio com a outra pessoa?
Como você vê quero ajudar você, e não afagá-la com ilusões!
Você disse que os homens casados pararam de “dar em cima” — e concluiu dizendo que isso pelo menos ajudava a distrair, a tirar o tédio. Agora, entretanto, nem eles…
Sem saber de nada, mas apenas sentindo, eu diria o seguinte:
Você é a dona da bola; tem caprichos fortes; é altamente frustrável; acha que os homens têm que existir para você; e, possivelmente seja também uma pessoa muito sufocante na relação; e do tipo que cobra muito, exige demais, e sempre quer ser amada antes…; muito mais do que amar.
Em resumo: sua carência é tão grande, e seus enganos pessoais são tão sutis, que você não se enxerga, transferindo os problemas para fora de você, desde que não seja para um diabo muito cheio de mandingas…
Supondo que a idade de se começar a pensar em casamento seja aí pelos 24-25 anos, e considerando que você só tem 32, o que vejo foi tempo perdido. De fato, uns sete anos de tempo jogado fora. Entretanto, isto, como disse no início, não é problema, pois, de fato, você é ainda muito jovem.
Todavia, o seu “sou/estou solteira”, me chamou atenção. Sim! Porque você se nega a viver o que vive. Daí o ter relativizado o ‘sou solteira’ por um ‘sou/estou’ — típico de quem tem vergonha do status de solteira.
Ora, você sempre foi solteira. Nunca casou. E, todos os relacionamentos que teve, por mais que também tenham sido com homens casados, não significaram nada além de vínculos de transa, ou, no melhor disso, paixões de desejo — e nada mais que isso.
Desse modo, assuma que você é solteira, e ponto.
Tire de sua alma a fixação no ter que encontrar alguém; pois, nesse caso, quem busca, não encontra; quem bate, só acha monstros atrás da porta; e quem pede, só recebe gorjeta…
Assim, busque viver em paz, sem a aflição de ter que ter alguém, sem medo do futuro, e sem ansiedade… — pois, quem vive assim, assusta a quem chega perto!
O que suponho é que, inconscientemente, sua energia seja ‘pegajosa’. Assim, os casados ficam com medo de se fecharem atrás de uma porta de cadeia emocional, com potencial do tipo “atração fatal”; e, os solteiros, ao sentirem você, temem ter que tomar uma decisão acerca de casamento sem nem mesmo terem conhecido você.
Mulher que quer casar, em geral fica solteira!
Mulher que casa bem é, em geral, muito tranqüila, leve e discreta, mesmo quando bela; e que não tenta seduzir de modo algum.
Mulher sedutora seduz tanto que não leva nada!
Mulher que casa bem é, em geral, aquela que não busca, não pede e não bate na porta.
Mulher desejosa é comida, mas não se alimenta; é provada, mas não prova nada; é cheia de histórias, mas não faz história com ninguém.
Mulher desejosa vive frustrada!
Mulher cheia de caprichos é coberta deles até que o cara diga: “Aqui já tive e já tirei tudo o que queria. Daqui pra frente é chatice!”
Mulher cheia de caprichos se carrapicha enquanto anda…
Portanto, amiga querida, peço a você que ao invés de derramar vinagre em algum lugar, ao invés de rasgar esta carta, e ao invés de pregar um prego em alguma árvore — que veja se há vinagre em sua alma; se há cartas de vida e amor sendo rasgadas por você inconscientemente; e se você não é um prego, que fixa as pessoas, ao invés de amá-las.
Pense no que lhe disse, pois, mais simples para mim era nada dizer. Mas, Deus sabe, o disse querendo ajudar você como um pai ajuda a filha — afinal, tenho filho mais novo que você apenas 1 ano.
Receba meu carinho.
Nele, em Quem tudo tem que ser em espírito e em verdade,
Caio
retirado do site www.caiofabio.com

